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Em crise, Correios fecham 11 agências no RS

Publicada em: 09/06/2026 10:25 -

 

Entre o final de maio e o início de junho, 11 agências dos Correios foram fechadas no Rio Grande do Sul. Foram quatro unidades com atividades encerradas em Porto Alegre, duas em Caxias do Sul e uma em Gramado, na Serra, uma em Rio Grande, no sul do Estado, uma em Triunfo, na Região Carbonífera, uma em São Leopoldo, no Vale do Sinos, e uma em Derrubadas, no Noroeste.

As medidas são parte do plano de reestruturação da estatal, diante de recentes prejuízos operacionais bilionários. Em nota enviada à reportagem, os Correios afirmam que “o atendimento segue normalmente, pois tem outras unidades de Correios nos municípios”.

Nos locais onde as agências foram fechadas, porém, moradores demonstram insatisfação com as medidas.

Conforme a nota dos Correios enviada à reportagem, “no momento, não há previsão de fechamento de outras agências nas próximas semanas.” Contudo, o Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do Rio Grande do Sul (Sintect-RS) diz que outras unidades da empresa no Estado estão na mira para serem fechadas, como os centros de distribuição no bairro Menino Deus (Av. Natal, nº 141) e no bairro Navegantes (Travessa Dr. Heinzelmann, nº 489), em Porto Alegre.

Crise e reestruturação

Os Correios vivem uma grave crise financeira. O mais recente balanço, divulgado no último fim de semana de maio, mostra que a empresa teve prejuízo de R$ 3,1 bilhões somente no primeiro trimestre de 2026. Em 2025, acumulou prejuízo de R$ 8,5 bilhões, além de somar resultados trimestrais negativos seguidos desde o final de 2022.

No final de 2025, a estatal anunciou um plano de reestruturação. Como parte deste movimento, ainda em dezembro os Correios anunciaram empréstimo de R$ 12 bilhões junto ao Tesouro Nacional. 

Outra medida de ajuste das contas anunciada é o fechamento de mil das cerca de 6 mil agências próprias que a empresa mantém no território nacional. No Rio Grande do Sul, os Correios têm cerca de 500 unidades próprias. O plano também prevê venda de bens.

— Essas medidas ajudam a dar fôlego ao caixa da empresa, mas a meu ver, são paliativas, porque não resolvem a questão estrutural. O principal problema dos Correios é o desequilíbrio entre a receita e as despesas. A empresa se financia a partir das suas receitas, e essas têm diminuído, frente à competição de empresas privadas, por exemplo, enquanto as despesas seguem aumentando. Se não resolver esse desequilíbrio, as dificuldades financeiras da empresa vão se manter — analisa o economista Darcy Carvalho.

Demissão voluntária

Também dentro do plano de reestruturação, os Correios instituíram um novo programa de demissão voluntária. Em todo o Brasil, são cerca de 80 mil empregados diretos, sendo aproximadamente 5,1 mil no Rio Grande do Sul.

A expectativa da gestão da empresa era que cerca de 10 mil trabalhadores aderissem ao PDV neste ano, e outros 5 mil ao longo de 2027. Até o momento, cerca de 3,1 mil funcionários aderiram ao PDV em todo o país. No RS, segundo o Sintect-RS, foram cerca de 85.

— A adesão foi muito baixa porque as condições apresentadas foram muito ruins, ficando muitas vezes bem abaixo do que seria uma rescisão normal, por exemplo. Sem um estímulo mais atraente, é muito pouco provável que essa adesão aumente — destaca o secretário-geral do sindicato, Alexandre Nunes.

Em maio de 2025, os Correios já tinham iniciado um outro PDV. Segundo a estatal, aquele programa teve adesão de aproximadamente 3,5 mil funcionários, o que teria gerado uma economia anual de cerca de R$ 750 milhões. 

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